Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

indagações

Porque o faço? Por ser apologético? Por desde muito novo desenvolver a tendência de propalar palavras de outros? Por me apropriar de motivos e causas, por estéticas razões, por falta de outras? Por um motivo de sentido estético, ou por razão ética suspeitada, visionariamente logrando descobrir inusitadas lógicas? Ou por verdescência dos anos jovens, logo substituindo uma crença após outra... Caminhos que se deixam após trilhados os primeiros dias das jornadas...

Porque o faço? É de minha natureza indagar formas e esgares de ramos, troncos e galhos, atribuindo às árvores a sabedoria suprema... Folha, agora seca, levada por fria brisa para longe...

publicado por zé kahango às 09:25
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Quinta-feira, 2 de Outubro de 2008

Felicidade

Que digo eu? Se sofrimento e alegria são as duas faces da felicidade! Inseparáveis como cara-e-coroa da moeda da Vida...

publicado por zé kahango às 09:39
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Sofrimento

(Hoje, interroga-se sobre o valor do sofrimento no crescimento da alma) A ideia de que nos apura a resistência, resultando em melhoria do espírito, foi muito veiculada com intuitos sociológicos. Tentando demonstrá-la, chegaríamos a uma conclusão 'ad absurdum': de que teríamos de agradecer a quem nos faz sofrer...

Vejamos: Saímos de uma crise, de um aperto, de um stress, mais fortes? Quando a borrasca passa, o sentimento é de alívio... Quando as penas fazem perte do nosso dia-a-dia, habituamo-nos a elas, menorizando a sua importância e o impacto que em nós inculcam. Em opressão, angustiados pelo sofrer, mais parece que a mente se deforma, se reduz a tácticas de defesa, de sobrevivência.

O sofrimento como oportunidade de aperfeiçoamento? É muito discutível. Ser cronicamente infeliz não ajuda a expandir a chama espiritual, antes contribui para atitudes depressivas: negativismo e derrotismo.

Conscientes do risco de que não há vida sem dor, a felicidade tem de ser imaginada e diariamente construida suprimindo as fontes desse sofrimento. Ou, quando apenas assim podemos evitá-lo, embotando a ponta das flechas, o gume das lâminas. Ou antes, deixando, sem resistência, que nos atravessem, o mais rápido que possam...

publicado por zé kahango às 09:24
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Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008

refúgio...

(cedida por Paulo Jorge Martins)

publicado por zé kahango às 16:21
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Em paz

Estava, de facto, muito diferente. Na atitude, perante os obstáculos. Habituara os colegas de trabalho a verem-no como um "bulldozer", que sozinho enfrentava perigos. Na verdade, de vez em quando tomava a iniciativa de disparar contra algum alvo. Uma espécie de vício, que lhe ficara de batalhas frequentes. Não comprava guerras, mas não as temia, se lhe surgiam pela frente.

Com o tempo foi ficando não propriamente cansado, mas farto. A combatividade foi substituida por serenidade, o que por muitos foi visto como um súbito desinteresse, que não compreendiam. É certo que corriam tempos favorecedores de estados de espírito desmotivantes, porém, agora, surpreendia-se com a sua passividade. Uma indiferença olímpica, dir-se-ia. Por vezes, era invectivado, em tentativas de acicatar a sua força guerreira, mas recusava aceitar essas encomendas, frustrando as expectativas de quem habitualmente se esconde na sombra, aproveitando que outro faça o trabalho duro e aguente o ónus. Desprezava essa cultura de dissimilação, de quem murmura críticas pelos corredores, mas nunca as assume no tempo e local adequados.

Sentia como se tivesse começado nova vida. As presenças materiais da vivência passada já nada lhe diziam à memória. Já as podia jogar borda fora, sem nostalgia. Estava em paz com o Universo, aguardando que se cumpra o destino.

publicado por zé kahango às 11:10
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Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008

Solidão

Sempre se sentira estrangeiro. Ou era isso que o faziam sentir. Na infância, os seus colegas das escolas brasileiras chamavam-no de "portuga". Mais tarde os amigos da adolescência gaúcha estimavam-lhe a diferença, reconhecendo-o "europeu".

De regresso à terra-mãe, a estranheza com que deparou, impedindo-o de adaptar-se, fê-lo convencer-se de estar condenado a ser um ente atípico... Um seu velho amigo soubera fazer-lhe diagnóstico certeiro: um peixe que não se reconhecia nos outros, naquele aquário de perversidades.

Na verdade, nessa altura até se sentiu "brasileiro", enaltecendo mais-valias sul-americanas, em oposição à Velha-Europa. Emigrado dentro do seu próprio País, foi esse o seu sentimento durante duas décadas.

Mais tarde, em Paris, sentiu-se familiarizado com as ruas, como se estivesse em Lisboa...

Culturalmente, onde esteve mais sintonizado com o ambiente foi na "velha" Inglaterra.

Atraído pelas místicas orientais, afinou o seu temperamento com algum conteúdo budista.

Assim, foi-se construindo como homem do Mundo.

Por isso, a sua integração era sempre marginal, e a sua colaboração nas construções colecticas demasiado original. Em breve, como consequência dessa ingenuidade, veio a desilusão. Com a desilusão - janela de oportunidades, abrem-se os olhos, toma-se consciência das realidades.

E assim, viu-se solitário e desconhecido, como nunca se apercebera, nos já longos anos que habitava na cidade.

E a pergunta só agora lhe surgia: Como pode alguém que atingiu alguma notoriedade pública ser tão mal conhecido? A subsistência de mitos, a credulidade em réstias de poder e influência, em que alguns ainda hoje manifestam convicção, são também demonstrativos de ignorância sobre a sua pessoa. Na cidade, o seu pensamento não é conhecido, e ainda traz preconceitos e rótulos antigos a si teimosamente colados.

Conhecem-no os amigos, muitos, que noutras paragens habitam. Aqui, está só.

publicado por zé kahango às 10:01
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Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008

o importante na vida...

 

 

 ... retirou duas ou três conclusões:

que um homem nem sempre está onde o
corpo lhe impõe estar,
e o importante na vida é como estar,
não aonde.
Na vida de cada um há quatro vidas ao
todo:
sozinho dentro de si ou perto ou longe
dos seus
e em contacto com os outros, da mesma
forma, conforme.
 
Ruy Duarte de Carvalho
In: Como se o mundo não tivesse leste 

 

 

publicado por zé kahango às 09:50
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Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

Soando o chifre...

Fazei soar o chifre de olongo!

 

que sobre o largo horizonte

o seu toque se espalhe...

 

notícias, mukandas, novidades,

velozes voam, sobre a terra,

sobre o deserto,

subindo à serra;

 

antecipando viagens,

aquietaram-se os bois nos sambos,

silenciando encostos de chifres,

espectando pelas novas;

 

esperando novas também os homens,

fazendo fumegar os cachimbos,

sabendo que terão de conduzir as manadas

para outras paragens...

 

o fim da espera ao longe já surge;

de movimento, o tempo urge.

publicado por zé kahango às 19:37
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Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

palavras e mundos

a partir de palavra

singela ou solitária,

perfilam-se discursos

 

(mais ou menos sábios,

mais ou menos sóbrios)

 

e enquanto se perdem

pelos campos, pelos céus,

 

se fecham meus olhos,

abrindo horizontes

universais

publicado por zé kahango às 11:16
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Terça-feira, 25 de Março de 2008

(folha seca)

Estão secos, os meus olhos.

Secou-se-me o coração.

Está seco o meu jardim.

 

Minha boca já esqueceu

a água de outros lábios.

 

A secura dos desertos

tornou-se-me apropriada.

Apropriou-se da minha vida,

tomou-lhe o lugar.

 

A memória da sede saciada

já não refresca.

Definhou o viço das hastes,

desfez-se a semente.

 

Não mais esperançosas sombras

cruzam os céus dos meus dias.

As nuvens também secaram.

 

publicado por zé kahango às 14:59
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