Segunda-feira, 29 de Setembro de 2008

refúgio...

(cedida por Paulo Jorge Martins)

publicado por zé kahango às 16:21
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Em paz

Estava, de facto, muito diferente. Na atitude, perante os obstáculos. Habituara os colegas de trabalho a verem-no como um "bulldozer", que sozinho enfrentava perigos. Na verdade, de vez em quando tomava a iniciativa de disparar contra algum alvo. Uma espécie de vício, que lhe ficara de batalhas frequentes. Não comprava guerras, mas não as temia, se lhe surgiam pela frente.

Com o tempo foi ficando não propriamente cansado, mas farto. A combatividade foi substituida por serenidade, o que por muitos foi visto como um súbito desinteresse, que não compreendiam. É certo que corriam tempos favorecedores de estados de espírito desmotivantes, porém, agora, surpreendia-se com a sua passividade. Uma indiferença olímpica, dir-se-ia. Por vezes, era invectivado, em tentativas de acicatar a sua força guerreira, mas recusava aceitar essas encomendas, frustrando as expectativas de quem habitualmente se esconde na sombra, aproveitando que outro faça o trabalho duro e aguente o ónus. Desprezava essa cultura de dissimilação, de quem murmura críticas pelos corredores, mas nunca as assume no tempo e local adequados.

Sentia como se tivesse começado nova vida. As presenças materiais da vivência passada já nada lhe diziam à memória. Já as podia jogar borda fora, sem nostalgia. Estava em paz com o Universo, aguardando que se cumpra o destino.

publicado por zé kahango às 11:10
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Sexta-feira, 26 de Setembro de 2008

Solidão

Sempre se sentira estrangeiro. Ou era isso que o faziam sentir. Na infância, os seus colegas das escolas brasileiras chamavam-no de "portuga". Mais tarde os amigos da adolescência gaúcha estimavam-lhe a diferença, reconhecendo-o "europeu".

De regresso à terra-mãe, a estranheza com que deparou, impedindo-o de adaptar-se, fê-lo convencer-se de estar condenado a ser um ente atípico... Um seu velho amigo soubera fazer-lhe diagnóstico certeiro: um peixe que não se reconhecia nos outros, naquele aquário de perversidades.

Na verdade, nessa altura até se sentiu "brasileiro", enaltecendo mais-valias sul-americanas, em oposição à Velha-Europa. Emigrado dentro do seu próprio País, foi esse o seu sentimento durante duas décadas.

Mais tarde, em Paris, sentiu-se familiarizado com as ruas, como se estivesse em Lisboa...

Culturalmente, onde esteve mais sintonizado com o ambiente foi na "velha" Inglaterra.

Atraído pelas místicas orientais, afinou o seu temperamento com algum conteúdo budista.

Assim, foi-se construindo como homem do Mundo.

Por isso, a sua integração era sempre marginal, e a sua colaboração nas construções colecticas demasiado original. Em breve, como consequência dessa ingenuidade, veio a desilusão. Com a desilusão - janela de oportunidades, abrem-se os olhos, toma-se consciência das realidades.

E assim, viu-se solitário e desconhecido, como nunca se apercebera, nos já longos anos que habitava na cidade.

E a pergunta só agora lhe surgia: Como pode alguém que atingiu alguma notoriedade pública ser tão mal conhecido? A subsistência de mitos, a credulidade em réstias de poder e influência, em que alguns ainda hoje manifestam convicção, são também demonstrativos de ignorância sobre a sua pessoa. Na cidade, o seu pensamento não é conhecido, e ainda traz preconceitos e rótulos antigos a si teimosamente colados.

Conhecem-no os amigos, muitos, que noutras paragens habitam. Aqui, está só.

publicado por zé kahango às 10:01
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Sexta-feira, 19 de Setembro de 2008

o importante na vida...

 

 

 ... retirou duas ou três conclusões:

que um homem nem sempre está onde o
corpo lhe impõe estar,
e o importante na vida é como estar,
não aonde.
Na vida de cada um há quatro vidas ao
todo:
sozinho dentro de si ou perto ou longe
dos seus
e em contacto com os outros, da mesma
forma, conforme.
 
Ruy Duarte de Carvalho
In: Como se o mundo não tivesse leste 

 

 

publicado por zé kahango às 09:50
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Segunda-feira, 8 de Setembro de 2008

Soando o chifre...

Fazei soar o chifre de olongo!

 

que sobre o largo horizonte

o seu toque se espalhe...

 

notícias, mukandas, novidades,

velozes voam, sobre a terra,

sobre o deserto,

subindo à serra;

 

antecipando viagens,

aquietaram-se os bois nos sambos,

silenciando encostos de chifres,

espectando pelas novas;

 

esperando novas também os homens,

fazendo fumegar os cachimbos,

sabendo que terão de conduzir as manadas

para outras paragens...

 

o fim da espera ao longe já surge;

de movimento, o tempo urge.

publicado por zé kahango às 19:37
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