Sábado, 17 de Julho de 2010

de Luz

libertaste a tua angústia

deixaste que saisse a expressão

da eterna pergunta, do medo:

 

a vida o que é,

o que somos,

o que vai do que fica?

 

meu amor feliz me fazes

indagando-me de surpresa,

deixando-me ver teus recônditos.

 

digo-te querida

somos de luz feitos,

consciência

 

ao nascer para a vida

se nos encobre a luminosa

essência da alma

 

o corpo que habitamos

nos tapa os olhos

e cegos tropeçamos

pela vida nossa fora

 

só pela morte se destapa

a luz de que nos fazemos.

publicado por zé kahango às 02:29
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Sábado, 26 de Junho de 2010

SOLSTÍCIOS

 
De Luz e Trevas nos compomos
em eternos ciclos
ora em oposições
ora em dualidade geradora.
 
De solstício em solstício,
zénite e nadir se alternando,
cegos filhos da Morte
para a Luz nascemos.

publicado por zé kahango às 23:21
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Terça-feira, 8 de Junho de 2010

de novo no (meu) deserto primordial

Regresso ao meu deserto, ao meu caminho solitário. Persistentemente calcorreando o cascalho, passo a passo. Não é o brilho que me cega. Apenas cerro as pálpebras para melhor ver o meu escuro.
publicado por zé kahango às 03:12
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Terça-feira, 22 de Dezembro de 2009

A PEDRA

 



 
O distraído tropeçou nela,
O violento usou-a como projéctil,
o empreendedor usou-a para construir
o camponês, cansado, usou-a como assento,
o menino usou-a como brinquedo.

Drummond usou-a como inspiração,
David usou-a para matar Golias
e Miguel Ângelo fez dela uma bela escultura.

En todos estes casos, a diferença não está na pedra mas sim no homem.

Não existe "pedra" no teu caminho que, na maioria das vezes, não possas aproveitar para o teu próprio cescimento.

 

 

(daqui)

publicado por zé kahango às 00:43
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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

regressado

Ao ponto de partida

regressado

uma nova volta

no ciclo da espiral

apenas um passo adiante

 

apenas um passo

um passo vacilado

do agreste caminho.

 

Perdido em longo ciclo

em longas jornadas

solitárias

publicado por zé kahango às 09:43
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Sábado, 3 de Outubro de 2009

no âmago do espírito...

"A Memória como Ventre da Alma", de Santo Agostinho.

Suculento naco de pensamento...

 

 

Encerro também na memória os afectos da minha alma, não da maneira como os sente a própria alma, quando os experimenta, mas de outra muito diferente, segundo o exige a força da memória.
Não é isto para admirar, tratando-se do corpo: porque o espírito é uma coisa e o corpo é outra. Por isso, se recordo, cheio de gozo, as dores passadas do corpo, não é de admirar. Aqui, porém, o espírito é a memória. Efectivamente, quando confiamos a alguém qualquer negócio, para que se lhe grave na memóra, dizemos-lhe: «vê lá, grava-o bem no teu espírito». E quando nos esquecemos, exclamamos: «não o conservei no espírito», ou então: «escapou-se-me do espírito»; portanto, chamamos espírito à própria memória.
Sendo assim, porque será que, ao evocar com alegria as minhas tristezas passadas, a alma contém a alegria e a memória a tristeza, de modo que a minha alma se regozija com a alegria que em si tem e a memória se não entristece com a tristeza que em si possui? Será porque não faz parte da alma? Quem se atreverá a afirmá-lo?

 

Não há dúvida que a memória é como o ventre da alma. A alegria, porém, e a tristeza são o seu alimento, doce ou amargo. Quando tais emoções se confiam à memória, podem ali encerrar-se depois de terem passado, por assim dizer, para esse estômago; mas não podem ter sabor. É ridículo considerar estas coisas como semelhantes. Contudo, também não são inteiramente dissemelhantes.
Reparai que me apoio na memória, quando afirmo que são quatro as perturbações da alma: o desejo, a alegria, o medo e a tristeza. Qualquer que seja o raciocínio que possa fazer, dividindo cada uma delas pelas espécies dos seus géneros e definindo-as, aí encontro que dizer e declaro-o depois. Mas não me altero com nenhuma daquelas perturbações, quando as relembro com a memória. Ainda antes de eu as recordar e revolver, já lá estavam. Por isso consegui, mediante a lembrança, arrancá-las dali.
Assim como a comida, graças à digestão, sai do estômago, assim também elas saem do fundo da memória, devido à lembrança. Então, porque é que o que discute, ou aquele que delas se vai recordando, não sente, na boca do pensamento, a doçura da alegria, nem a amargura da tristeza? Porventura nisto é dissemelhante o que não é semelhante em todos os seus aspectos?
Quem em nós falaria voluntariamente da tristeza e do temor, se fôssemos obrigados a entristecer-nos e a temer, sempre que falamos de tristeza ou temor? Contudo, não os traríamos à conversa se não encontrássemos na nossa memória, não só os sons destas palavras, conforme às imagens gravadas em nós pelos sentimentos corporais, mas também a noção desses mesmos sentimentos. As noções não as alcançamos por nenhuma porta da carne, mas foi o espírito que, pela experiência das próprias emoções, as sentiu e confiou à memória; ou então foi a própria memória que as reteve sem que ninguém lhas entregasse.

Santo Agostinho, in 'Confissões'

 

 

(retirado daqui)

 

publicado por zé kahango às 13:38
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Segunda-feira, 21 de Setembro de 2009

Magnolia - um Grande Filme!

Frank & Earl 

 

Leia mais aqui

 

publicado por zé kahango às 19:25
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Sábado, 2 de Maio de 2009

posto de observação

Ao meu posto de observação

volto, esperando sinais

como as inesperadas revelações.

 

Para posto de observar

todos servem;

qualquer ou nenhum

se presta,

estejam abertos

ou fechados, os olhos.

 

Observe-se o rosto,

encare-se a vida

de frente, com gosto.

publicado por zé kahango às 16:23
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Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009

similitude e diferença

O que diferentes nos faz

mantendo-nos iguais

a nós próprios, a nós?

 

Diferentes seríamos

seguindo os mesmos, ainda

que fosse nos polos

ou entre trópicos?

 

Seguíssemos por ondas,

ou em profundidade mergulhados;

reflexos de luz, ou em trevas

transformados?

 

Diferentes fossemos,

idênticos sempre somos.

 

(29/12/08)

 

publicado por zé kahango às 10:22
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Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

ESTRANHO (O) CORPO

Sentir vazio o corpo de antanho

como vil carcassa, abatida;

sentir como outro, estranho,

o que se habitou, convicto.

Convicção-Mor Da Vida, vencida

pelo tempo e pelo olhar; gasto.

 

Sentir estranho o corpo,

vazio de sentido, abatido;

como de outro tivesse sido;

desabitado agora, morto.

 

Rejeitando sentidos e olhar,

alienando o que nosso foi;

um estranho, a recusar:

- Estranhar tamanha rejeição!

Que ao sentido o que doi

- o perdido, a negação não.

publicado por zé kahango às 10:58
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